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Caminhada em Burarama


Há tempos, organizar uma caminhada em Burarama era um sonho de consumo, pois o lugar possui detalhes que revelam o capricho da natureza: variadas formações rochosas,de espécies vegetais e água de tonalidades diversas que escorre entre as pedras e formam conjuntos de piscinas naturais.


Locais como a Pedra da Ema e o Poço do Pedro, que ficam também próximo à área urbana oferecem diversas opções de caminhos entre cachoeiras e o desafiador Morro do Cantagalo.


E assim foi depois de muitos contatos, e duas visitas para reconhecimentos que chegamos a conclusão que deveríamos passar um fim de semana inteiro, dedicando o sábado para caminhadas curtas no entorno da cidade e domingo subir o Morro do Cantagalo, um maciço de 800 metros de altitude.



Primeiro dia

O sonho de Burarama se materializou nos dias 26 e 27 de junho.


Devido ao alerta de caminhada de grau difícil, além da limitação de vagas para hospedagem, o número de participantes foi bem mais reduzido do que em outras caminhadas. Este povo animado saiu de Vitória no sábado bem cedinho com clima ameno, céu claro e muito sol.


Após uma viagem tranquila, a chegada em Burarama chamou a atenção de todos com sua aparência bucólica em meio das cadeias montanhosas e pelos muitos jardins que compõem as propriedades rurais. As torres gêmeas da Igreja se sobressaem em meio ao casario.


Após uma caminhada rápida pelas ruas da cidade fomos ao Poço do Pedro local escolhido para o almoço preparado com bastante esmero por Simone e família.


O local é muito bonito e possui área de lazer com piscinas naturais, quedas dágua, bar , um aquário construído com vidros de Fusca, e diversas plantas . Nesta época as piscinas estão vazias, pois além da baixa vazão do riacho, esta muito frio para um banho.


Após o almoço, uma rápida caminhada ao monumento natural mais importante do município: A pedra da Ema. O local é acessível por uma estradinha plana e com muita vegetação. A visão da Pedra deixa qualquer um impressionado com a visão da grande formação rochosa que num dia ensolarado como sábado, permite visualizar a imagem de uma grande ave negra em seus paredões.


Isso acontece porque há uma saliência na pedra, e de acordo com a posição do sol, forma a figura com bico, patas e asas, semelhantes a de uma ema. Daí a origem do nome.


Fazendo o caminho de volta, ao invés de entrar na cidade, vira-se a direita e através de um caminho com predominância de subida e uma pequena trilha chega-se a Cachoeira do Fabrício. È uma queda dágua semelhante aos degraus de uma escada e um poço, onde mesmo com o fim da tarde e uma temperatura baixa, o banho foi obrigatório.


Com a noite chegando o negócio foi retornar para “casa” tomar um banho e curtir a noite de Burarama. Eu disse casa, pois ficamos hospedados em casas de famílias que nos receberam de braços abertos.


Quem pensou que não tinha nada para fazer num local tão pequeno se enganou. A turma se reuniu num barzinho para tomar um caldo quente , comer uma polenta e tomar uma cerveja.


Lá fomos convidados a comparecer num baile do pessoal da terceira Idade. O programa, mesmo parecendo estranho, foi um sucesso. Os Andarilhos se integraram rapidamente com os anfitriões e em pouco tempo conversavam animadamente e rodopiavam pelo salão mostrando que além de caminhar, são bons de forró.


A programação noturna ainda contou com uma animada festa junina numa propriedade particular, onde a calorosa recepção nos fez pensar mais uma vez que estávamos em casa. Como a caminhada do domingo seria difícil todos se recolheram cedo aos locais de hospedagem para descansar depois de um dia tão agitado.



Segundo dia

O domingo amanheceu com tempo nublado e uma neblina que cobria as montanhas ao redor da cidade. As seis e meia todos se dirigiram ao Poço do Pedro, para o café da manhã o aquecimento e a preleção.


A foto oficial do grupo foi no início da subida do Cantagalo, a esta hora, ainda encoberto pela neblina.


E lá se foi o grupo, subindo com passos lentos, porém firmes e cadenciados de andarilhos experientes e bem acostumados a este tipo de percurso.


Com cerca de 1,5 km temos o alambique onde são fabricadas a famosa aguardente Burarama , parada obrigatória para pelo menos uma foto.


O primeiro ponto de apoio estava a cerca de 2 km, mas devido a natureza do terreno nada de vans e sim as famosas “aranhas”. Estes veículos rústicos são fabricados a partir de velhos Fuscas e Brasílias, mas que são resistentes e sobem morros com extrema facilidade.


A "Aranha de apoio" foi colocada a nossa disposição pelo casal de comerciantes locais, Paulinho e Selma, que com muita simpatia e competência, abasteceram os andarilhos de água e frutas, além de demarcar o caminho com as famosas setas de farinha.


O grau de dificuldade diminuiu bastante pelo clima frio e sem sol, tendo em alguns momentos uma fina garoa, que transformaram uma caminhada pesada num passeio no shopping.


E assim fomos subindo com tranquilidade, pois ainda tivemos mais dois pontos de apoio até o cume do morro. A nossa Mãe natureza reservou um grande presente: O céu se abriu assim que chegamos ao topo e permitiu uma vista privilegiada do alto dos 800 metros do Cantagalo.


O espetáculo era ainda maior, pois de repente vinha a cerração e encobria tudo de novo, até se abrir completamente. Foram muitas fotos lá em cima de um povo animado que não demonstrava o menor cansaço após uma subida tão forte.


Durante a descida, já com um sol bem forte é que todos puderam vislumbrar o cenário dos vales lá em baixo. E para recompensar os andarilhos o Paulinho ainda nos deu apoio extra, pois até uma cervejinha gelada ele ofereceu aos que gostam da bebida, que consumida com moderação foi um verdadeiro brinde para comemorar o sucesso de uma caminhada fantástica.


Logo que descemos o, almoço foi no self Service da Eunice com comida nota dez temperada com muita simpatia por ela e seus familiares.


A localização do restaurante é uma atração a mais, pois a rua onde ele se situa não é pavimentada, já que fica sobre uma grande formação rochosa, a famosa Rua da Laje.


Com todos descansados e muito bem alimentados, o retorno a Vitória foi logo em seguida, coroando um fim de semana marcado pela beleza de um lugar, da acolhida de seus habitantes e da agradável companhia dos andarilhos, que a cada caminhada demonstram grande aptidão física e uma facilidade de amar seu próximo e conviver em grupo.


Para encerrar, gostaria de agradecer a todos que contribuíram para que este caminho fosse mais um sucesso, sejam participantes, organizadores ou aqueles que nos receberam.


Espero que tudo se repita em nosso próximo evento, a caminhada festiva Arraiarilho nos dias 24 e 25 de julho.


Grande abraço e até lá.


Fonte: Andarilhos - Antônio Falcão.