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Resenha do V Caminho do Andorinhas


O 5º Caminho do Andorinhas levantou novamente uma polêmica que há muito não acontecia, relacionada a manutenção da caminhada com tempo chuvoso.


Existe um jargão que sinceramente não sei de onde veio “andarilhos de açúcar” para designar o pessoal que não gosta de caminhar no molhado por medo de “derreter” em contato com a água.


Para tranquilizar este pessoal, vamos avaliar a situação sob o ponto de vista científico e bíblico. A ciência nos ensina que a mudança de estado de uma substância sólida para o líquido pode ocorrer através do aquecimento (fusão) ou da combinação com a água.


O sólido entra em contato com a água e forma uma solução azeotrópica, ou seja vira liquido e se transforma numa substância única. Isso nunca irá ocorrer com o corpo humano.


Ao avaliar a situação sob a ótica do Antigo Testamento, localizamos um único registro de cancelamento de caminhada ocorreu por ocasião do grande dilúvio.


Um certo andarilho puro sangue, chamado Noé, ficou frustrado com o cancelamento e construiu as pressas uma barca (ou arca) e convidou casais de diversas categorias de andarilhos para fazer o percurso flutuando sobre as águas revoltas. Apesar de encharcados não se dissolveram, seguiram por outros caminhos e se dispersaram pelo mundo.


Os casais de andarilhos foram se multiplicando e mesmo com figuras indescritíveis, atravessaram os séculos e chegaram ao ano de 3010 agrupados no “andarilhos.org”.


Nós descendemos da linhagem principal, e fiéis aos princípios científicos e da bravura e perseverança de nosso patriarca Noé, só cancelamos caminhadas sob tempo chuvoso quando forem identificados riscos a segurança do andarilho, como por exemplo Mestre Álvaro e Matilde.


Organizar atividades ao ar livre, como as caminhadas, é uma tarefa difícil, pois não temos a gestão das condições metereológicas e ficamos sujeitos ao humor de São Pedro, que vez por outra vai de mal a pior.


O Santo sempre foi um parceiro na realização dos eventos, mas este fim de semana resolveu mandar uma chuva constante para por a prova a persistência dos andarilhos.


No caso do V Andorinhas, houve uma grande mobilização por parte dos nossos anfitriões e da organização, envolvendo inúmeras trocas de email´s e telefonemas para compras dos insumos, contratação de pessoal, contabilização das inscrições e divisão das Vans para o transporte, cuja Nota Fiscal é emitida na sexta feira anterior.


Por tudo isso, e munidos deste espírito aventureiro e responsável, mesmo com algumas desistências, mantivemos a caminhada sob uma chuva fina e constante, que nos acompanhou todo dia.


Apesar do atraso de duas Vans, a programação foi seguida a risca, sendo que a preleção e o aquecimento feitos em ambiente indoor, na Padaria localizada em frente a Igreja de Santa Izabel.


A tripulação das duas vans que chegaram no horário partiu ao encontro dos demais no Vale da estação, onde a caminhada realmente começou. Começou com a foto oficial, com os novatos e saboreando o delicioso pastel, marca registrada deste ponto do caminho.


A chuva caia sem parar e era difícil reconhecer os andarilhos, cobertos com capas ou plásticos improvisados e alguns portando sombrinhas coloridas, numa animada coreografia.


O caminho do Andorinhas é altamente seletivo, pois possui subidas descidas e retas na medida certa e ainda conta com vários trechos de mata preservada, uma raridade nos tempos atuais.


O terreno predominante neste caminho apresenta areia em sua composição, fator preponderante para que apesar de tanta chuva havia pouca lama.


A cada 4 quilômetros nosso apoio, sempre eficiente dava era um porto seguro e transmitia segurança aos encharcados andarilho.


Muita propriedades bem cuidadas, grande quantidade de hortaliças são uma constante ao logo de todo trecho.


Na localidade de Bom Jesus, um trecho de calçamento com um chafariz bem original e uma “venda” onde os moradore encontram de tudo e tomam a sua cerveja do domingo, jogando conversa fora e acolhendo os andarilhos que foram conferir a gelada do local.


De Bom Jesus ao andorinhas são apenas sete quilômetros percorridos com muita tranquilidade por todos.


Antes de chegar ao sítio, já podíamos ouvir a animada cantoria comandada por José Antônio Cantarilho. Parecia que já estávamos no caminhando e cantando.


Cada participante que chegava era saudado com um toque de sino, uma tradição na casa.


Nossos anfitriões disponibilizaram local para troca de ropuas, pois todos chegaram molhados e com frio. Devido a isto, poucos aproveitaram a piscina natural e ficaram restritos a festa que corria solta na varanda, cantando, dançando e saboreando um delicioso churrasco.


Este ano o nosso Cantarilho liberou o microfone e encorajou todos que possuem um talento oculto para a arte do canto, pudessem mostrá-lo aos demais, o que deu um colorido especial no fechamento de mais esta caminhada.


No final da tarde, quando se ouviam os últimos acordes, houve a descida na tirolesa onde muitos se divertiram, sob as lentes atentas de nossos fotógrafos, loucos para flagrar uma cena digna de videocassetada, que felizmente não ocorreu.


Para encerrar, gostaria de deixar dois agradecimentos: o primeiro ao Rafael e sua família que mais uma vez abriram as portas de sua casa e receberam os andarilhos com todo carinho, esmero e dedicação.


O segundo vai para todos participantes que, fieis a sua origem encararam a chuva como uma dádiva de Deus e cuja luz, ao atravessar a chuva fina desenharam em nossos corações um belo arco-iris, com um pote de ouro chamado amizade em seu final.


Espero revê-los no próximo dia 31 de Novembro em Alfredo Chaves, no circuito de Cachoeira Alta.


Grande abraço a todos.